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quinta-feira, 19 de maio de 2011

Descobertas

Quem sabe que eu cultivo o gosto da literatura fragmentária, avisou-me da publicação de Prosas Apátridas (Edições Ahab). É esse o único marketing que funciona comigo. Descobri assim Julio Ramón Ribeyro. É bom redescobir que há autores por descobrir e que acrescentam alguma coisa ao universo literário que elegemos. E é muito bom que ainda haja editoras capazes de nos fazer descobrir autores e livros como este, para mais em edição cuidada, que contrasta com o descuido generalizado a que assistimos. Mas descobrir um autor, neste sentido electivo, é desencadear um processo de aprofundamento e de leitura de outros livros seus, tornando-o eventualmente um dos nossos autores e em relação com eles. E, nesse caso, o prazer da descoberta reside também em descobrir o que já sabíamos. É esse processo (biográfico) que, no âmago, entra naquilo a que chamei relação íntima com os livros.

sábado, 14 de maio de 2011

Feira do Livro

Uma última volta pela feira. Confirmo: a Feira do Livro não é um acontecimento.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Feira do Livro

A Feira do Livro é uma coisa melancólica. Por mais que se mascare de festa do livro, ela é apenas uma fonte de liquidez imediata e uma forma de aliviar a pressão do armazém, tentando fazer em quinze dias o que os génios «marketistas» não conseguiram fazer durante o(s) ano(s).
Todas as «transformações» e «novidades» da feira têm sido sempre de forma e não de substância. À portuguesa, portanto.
Festa do livro seria uma coisa bem diferente: não apenas escoar restos (que às vezes são bem mais do que restos...), mas preparar o ano editorial junto dos leitores, despertar-lhes a curiosidade e o interesse, aguçar-lhes o apetite. Seria uma feira para o grande público, mas também dirigida aos profissionais e, em particular, aos livreiros. Não vou dizer aqui tudo o que penso que poderia acontecer numa evento desses, mas seria certamente uma feira onde se fariam distinções, não de dimensão, mas de capacidade. Uma feira onde cada editor pudesse mostrar o que vale, independentemente do tamanho do armazém. Um evento do livro e da indústria e não apenas a banquinha da venda.
Para isso era preciso gente com ideias e, peço perdão pelo plebeísmo, com tomates.