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segunda-feira, 16 de maio de 2011

Memórias Intactas

Concerto para piano número um, em ré menor, de Brahms, por Radu Lupu: em momentos de assombro, reconheço-me, no momento exacto de os viver, humilíssimo e grato por me ser dado vivê-los.

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Brendel veio a Lisboa mostrar como só o véu da ordem torna possível a obra de arte, para usar palavras suas, retomadas de Novalis. Ordem: uma construção intencional e necessária.

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Palácio de Queluz, a última sonata de Beethoven na interpretação admirável de Grigory Sokolov. No âmago táctil da solidão mais indivisível reencontro o vago contorno de uma comunidade.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Memórias Intactas

O impacto físico da música sobre Stephen Kovacevich quando, exausto, se levantou para agradecer os aplausos, impressionou-me muito. Acabara de tocar a Sonata em dó menor n.º 32, op. 111, a última sonata para piano de Beethoven. O pianista (ou seria o compositor?) tinha atravessado a espessura da alma para chegar à violência da solidão extrema, ao esquecimento de si, às altas regiões de um silêncio molto semplice e cantabile. Tenho perseguido, desde então, outras vidas da mesma sonata — Richter, Brendel, Askhenazy, Badura-Skoda, Pollini, Michelangeli, Serkin, Gould, Pletnev, outros — e tantas são extraordinárias. Mas talvez tenha sido Kovacevich quem me levou mais longe, ao encontro de alguma coisa que está na música e é mais do que ela, sem nunca deixar de ser música.