Mostrar mensagens com a etiqueta livros da feira. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta livros da feira. Mostrar todas as mensagens

domingo, 15 de maio de 2011

Livros da feira

De A Praia, de Cesare Pavese, publicado pela Ulisseia, nesta sua quarta vida, se poderia dizer que, de algum modo, ecoa a linha editorial da primeira Ulisseia (veja-se aqui o catálogo da Série Literária em 1968). É uma edição recente, por isso encontrar-se-á na feira sem problemas. É um belo texto, embora apresentado com uma capa muito pouco feliz, para dizer o mínimo, e que me suscita algumas outras perplexidades do ponto de vista editorial. Sinais dos tempos, ou talvez que, como conclui o próprio narrador de A Praia, "nada é mais inabitável do que um lugar onde já se foi feliz".

Livros da feira

A informação é de que está esgotado na Editorial Estampa e nas Obras Completas publicadas pelo Círculo de Leitores. É pena que um dos melhores livros de contos da literatura portuguesa seja difícil de adquirir. Talvez na feira?  Já o escrevi e repito: Léah e Outras Histórias é um livro que se lê por pura saudade.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Livros da feira

Parágrafo de um texto sobre os quarenta anos de Diário de João Bigotte Chorão (Diário Quase Completo, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, Lisboa, 2001), amigo e mestre – tenho presente a observação de Goethe segundo a qual chamamos mestres àqueles de quem estamos sempre a aprender, embora nem todos aqueles com quem aprendemos alguma coisa mereçam esse título –, publicado na revista Foro das Letras, dirigida por António Osório: «Figuração de diária resistência interior, o Diário vai traçando um itinerário de ‘vozes fraternas’ que falam‘da mesma angústia, tornando assim menos solitária a nossa solidão’, fazendo surgir a nossos olhos da primeira à última página uma verdadeira e aristocrática ‘família espiritual’ consagrada pela admiração literária e artística, sem outro compromisso que não seja a adesão a um estilo literário, a um fulgor intelectual, a uma visão do mundo, a um universo de valores, ou, ainda, à grande âncora da amizade.»

 

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Livros da feira

Giovanni Drogo é um homem à procura do sentido do tempo, o outro protagonista do romance de Buzzati (O Deserto dos Tártaros, de Dino Buzzati, publicado há alguns anos pela Cavalo de Ferro, excelentemente traduzido, e já na terceira edição). É um homem que espera. Quando por fim a espera termina, descobre que o seu próprio tempo se esgotou, e já não lhe é dado participar nos acontecimentos por que esperara tanto: trágico desenho. Mas, com um sorriso invisível nos lábios e nos olhos um «último quinhão de estrelas», Drogo acaba por reencontrar na morte o sentido da vida. «Tudo se passará no quarto de uma estalagem ignota, à luz de uma vela, na mais pura solidão.»


quinta-feira, 5 de maio de 2011

Livros da feira

Fui, se não o primeiro, um dos primeiros leitores portugueses do diário que Mircea Eliade escreveu durante a sua estada em Portugal entre Fevereiro de 1941 e Junho de 1945, conservado inédito até à publicação, em 2001, da péssima edição espanhola da Kairós. Após anos de múltiplas tentativas de publicar o livro em Portugal, muito anteriores à edição espanhola, a Guerra & Paz conseguiu realizar o feito em 2009.
Aos trinta e quatro anos, o Eliade que chega a Portugal para integrar a legação romena é já um exilado. O afastamento da pátria representou o afastamento da celebridade precoce e rumorosa, confinada ainda, como ele, a uma língua que mais ninguém falava. Mas Eliade não se anula: para si, no diário, recoloca-se no centro e imola-se no fervor da sua obra passada, presente e futura. Essa vitalidade revelar-se-á o nervo da sua existência e da sua sobrevivência. Cruamente confessional por vezes, o diário testemunha um drama pessoal com duas faces, simultâneas e íntimas: o temor pelo destino da pátria e a provação da dor privada. Reflecte o homem de espírito perturbado pelo homem de carne, inquietos ambos espírito e carne. Mas o homem é o homem e a sua sombra. Que é o homem sem o lampejo do trágico, sem o lastro da sua lucidez? E que é a arte sem mágoa e sem mácula? O diário português de Eliade não é nem asséptico nem simpático. De Portugal diz, em 1943, que lhe parece um país moribundo, que é um passado sem glória. Nota a mediocridade intelectual, sobretudo se confrontada com Paris ou mesmo Madrid. Outras páginas há, porém, de admiração por pessoas e lugares.
Mas um diário não é uma obra «sobre» isto ou aquilo, é o registo de uma respiração. E, através dela, a obra restitui-nos o homem e a sua inteligência do mundo.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Livros da feira

Digo há anos que não basta publicar um livro e enviá-lo para as livrarias, tem de se fazer alguma coisa por ele. De um modo geral, o que se faz é quase sempre o mesmo. E isso é quase sempre insuficiente e pouco eficaz. Os «marketistas» repetem ideias cansadas, quando não obtusas. Por isso as boas ideias são sempre de saudar. A Saída de Emergência acaba de publicar A Partícula de Vénus (Douglas Preston) com três capas diferentes que, juntas, formam uma determinada imagem, no caso um dinossauro. Boa ideia: os livros expostos vêem-se ao longe e são eles próprios um suporte publicitário. E para os fãs ou os coleccionadores é irresistível adquirir todas versões.