O trabalho e o repouso
Deseja-se ter um trabalho, para ter direito ao repouso.
Cesare Pavese, Ofício de Viver, trad. de Alfredo Amorim, Relógio d'Água, 2004.
Deseja-se ter um trabalho, para ter direito ao repouso.
Cesare Pavese, Ofício de Viver, trad. de Alfredo Amorim, Relógio d'Água, 2004.
O mito grego ensina que combatemos sempre contra uma parte de nós próprios, aquela que já foi superada, Zeus contra Typhon, Apolo contra Python. Inversamente aquilo contra que combatemos é sempre uma parte de nós próprios, um antigo eu. Combatemos sobretudo para não sermos qualquer coisa, para nos libertarmos. Quem não tem grandes repugnâncias, não combate.
Cesare Pavese, Ofício de Viver, trad. de Alfredo Amorim, Relógio d'Água, 2004.
De A Praia, de Cesare Pavese, publicado pela Ulisseia, nesta sua quarta vida, se poderia dizer que, de algum modo, ecoa a linha editorial da primeira Ulisseia (veja-se aqui o catálogo da Série Literária em 1968). É uma edição recente, por isso encontrar-se-á na feira sem problemas. É um belo texto, embora apresentado com uma capa muito pouco feliz, para dizer o mínimo, e que me suscita algumas outras perplexidades do ponto de vista editorial. Sinais dos tempos, ou talvez que, como conclui o próprio narrador de A Praia, "nada é mais inabitável do que um lugar onde já se foi feliz".