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quinta-feira, 15 de abril de 2010

Tigres

Tyger Tyger, burning bright,
In the forests of the night;
What immortal hand or eye,
Could frame thy fearful symmetry?

nnnnnnnnnnnnnnnnnnnnWilliam Blake


Tygre! Tygre! Brilho, brasa
que a furna noturna abrasa,
que olho ou mão armaria
tua feroz symmetrya?

Augusto de Campos


Tygre, Tygre, viva chama
Que as florestas de noite inflama,
Que olho ou mão imortal podia
Traçar-te a horrível simetria?

José Paulo Paes


Tigre, Tigre, claro incêndio
nas selvas da noite ardendo,
que mão, que olhar traçaria
tão tremenda simetria?

David Mourão-Ferreira


Tigre, tigre, ardendo aceso,
No bosque da noite preso,
Que olhos, que mãos infalíveis
Teus traços criaram terríveis?

Jorge de Sena


Tigre, tigre, chama clara,
entre as florestas da noite,
que mãos imortais ou olhos
puderam jamais forjar-te
a temível simetria?

Gastão Cruz


tigre, tigre, chama pura
nas brenhas da noite escura,
que olho ou mão imortal cria
tua terrível simetria?

Vasco Graça Moura


Tigre Tigre, brilho em brasa,
Que a floresta à noite abrasa:
Que olho eterno ou mão podia
Traçar-te a fera simetria?

Jorge Vaz de Carvalho

terça-feira, 13 de abril de 2010

Um poema, três universos poéticos

Segunda estrofe do soneto 22 dos Sonetos a Orfeu
de Rainer Maria Rilke

Alles das Eilende
wird schon vorüber sein;
denn das Verweilende
erst weiht uns ein.

na tradução de Vasco Graça Moura
(Sonetos a Orfeu, Quetzal, 1994):

Tudo o que acelera
foi depressa e vão,
no que fica espera
nossa iniciação.

na tradução de David Mourão-Ferreira
(Vozes da Poesia Europeia, Colóquio/letras 165, 2003):

O que depressa corre
em breve é já passado:
só no que se demora
somos iniciados.