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terça-feira, 13 de julho de 2010

Simples e complicado

«That Love is all there is,/ Is all we know of Love», são versos de Emily Dickinson. Mas «nem sempre o amor restitui à luz» (Alberto de Lacerda). E o enigma, caros jovens, reside no verbo restituir.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Segredo insanável

No fundo negro de um vaso grego, o largo gesto desenhado do atleta semideus é todo um capítulo da história da arte. Mas, entranhado no vazio do vaso, subsiste o perfume de um segredo insanável que mal conhecemos – o amor e a dor, a morte e o medo.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Silêncio

O vocabulário do amor é restrito e repetitivo, porque a sua melhor expressão é o silêncio. Mas é deste silêncio que nasce todo o vocabulário do mundo.

Vergílio Ferreira, Pensar, Bertrand, Venda Nova, 1992.

terça-feira, 30 de março de 2010

Amor

Ele amava-a desesperadamente e em vão. Ama-se sempre desesperadamente quando é em vão! Um dia, ela sentiu-se muito, muito doente. Então disse-lhe:
— Tenho pena de ti. Quero que me vejas mais nua que nua!
E desenrolou uma grande folha de papel onde tinha sido impresso um raio-x.
— Oh, que esqueleto tão querido!, disse ele, deliciado.
— Mas, peço-te um grande favor, não vás mostrar isto ao Sr...; esse prazer, pelo menos, não quero dar àquele cão!

Peter Altenberg, Telegrams of the Soul. Selected Prose of Peter Altenberg, tradução de Peter Wortsman, Archipelago Books, Nova Iorque, 2005.