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domingo, 5 de janeiro de 2014

Eusébio

Uma coisa me consola, Eusébio. É que não fui eu quem cobriu Você de adjectivos, de apodos, de cognomes mais ou menos imaginosos. Não fui eu quem disse que Você era a pantera, o príncipe, o bota de oiro, o relâmpago negro, o coice para a frente, o astropata. Também não fui eu quem disse que o seu nome era Eusébio. Dar o Eu a Eusébio, que pretensão! Derive, derive e vire, vire e atire sem parança, Eusébio, seu genial tragalhadanças!

Alexandre O'Neill

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Primeira advertência séria

Coaxa o tempo. Zurra quando calha.
Pipila, o coitadinho. À beira charco,
plofa.

Não te iludas.

Testaruda, a besta arrancará
do meandro de túneis
— para bramir, à luz sem uma prega,
o tempo.

Está atento.

Alexandre O'Neill, Entre a Cortina e a Vidraça, Colecção Auditorium, Estúdios Cor, Lisboa, 1972.