Mostrar mensagens com a etiqueta Julien Gracq. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Julien Gracq. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 2 de março de 2012

Como sabemos...

Como sabemos, todo livro se alimenta, com efeito, não apenas dos materiais que a vida lhe fornece, mas também e talvez sobretudo da marga espessa da literatura que a precedeu. Todos os livros empurram outros livros, e talvez o génio não seja outra coisa que um contributo de bactérias particulares, uma química individual delicada, um meio pelo qual um espírito novo absorve, transforma e, finalmente, restitui, sob uma forma inédita, não o mundo bruto, mas sim a imensa matéria literária que lhe préexiste.

Julien Gracq, «Porquoi la littérature respire mal», Préférences, José Corti, 1961.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Dos livros - V

Li, um dia, a tradução de um texto de Cavafis, intitulado ars poetica, publicada num número da revista Litoral, que Fernando Guedes me oferecera: «Além disso, [o poeta] vive, ouve, compreende; e os poemas que escreve, se não são verdadeiros para a vida real de uma pessoa, são-no para outras vidas. (...) E quando vive, ouve e indaga com inteligência, e se esforça por escrever a sua obra com critério, ela decerto não pode deixar de dizer respeito a alguém.»
Mais tarde li também que Julien Gracq, citado por Enrique Vila-Matas, terá desabafado: «...O escritor não tem nada a esperar dos outros. (...) Só escreve para ele!».
O que não tira razão a Cavafis.