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domingo, 21 de agosto de 2011

Para um Manual de Auto-Ajuda (25)

Não pintes 
a manta,
nem bordes
o avental.
Inventa
um mantra
que te sirva,
e te livre
de servir.

sábado, 20 de agosto de 2011

Para um Manual de Auto-Ajuda (24)

Por hábito, o
poético satura;
e o hálito retórico
do hábito poético
não se atura:
para fazeres poesia
gargareja
três vezes ao dia.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Para um Manual de Auto-Ajuda (23)

Entesoura
essa densidade
do corpo,
esse grau
de intensidade
a que chamas
tesão:
pode ser
o primeiro bem
a faltar-
-te 
ou talvez
não te sobre
outra coisa. *

*(como ao burro marroquino
   de Canetti).

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Para um Manual de Auto-Ajuda (22)

Não levantes
as pedras
em busca da salvação.
Tudo se passa
sobre elas,
no mesmo caminho
por onde vais
ao supermercado.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Para um Manual de Auto-Ajuda (21)

Se esperares,
quem esperas?
Se não esperares,
que te espera?
Acima de tudo
não desesperes.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Para um Manual de Auto-Ajuda (20)

Aperta-te
na tua pele
e repele
todas as personagens
acima
e abaixo
do teu número.
De outro modo,
podes sempre
optar pelo teatro.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Para um Manual de Auto-Ajuda (19)

Passarás o rio
no ferry de Caronte,
mas, para tua segurança
e de todos
os outros
passageiros,
deverás permanecer
sentado
até a viagem terminar.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Para um Manual de Auto-Ajuda (18)

Apalpa o terreno
antes da aproximação.
Apalpa
o colchão
para saber se é duro
e o melão
para ver se está maduro.
Apalpa a enfermeira
junto do coração.
Apalpa a carteira
para tomares o pulso
à situação.

sábado, 30 de julho de 2011

Para um Manual de Auto-Ajuda (17)

Atravessa a rua
depressa
e num só lance:
retroceder
pela metade
pode ser
funesto e final.
Mas se a rua
te parecer
metáfora,
vê lá se a pressa
não te faz perder
o sentido
da travessia.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Para um Manual de Auto-Ajuda (16)

Lembra-te:
o trato com
quem trabalhas
retrata
a destreza
com que, à mesa,
usas os talheres.

sábado, 23 de julho de 2011

Para um Manual de Auto-Ajuda (15)

Respira o sol
na carnação madura
dos frutos,
no fio civilizador
do azeite,
no cântico sápido
do vinho,
e ama o riso
sob as pálpebras.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Para um Manual de Auto-Ajuda (14)

Se para escrever
te abrigas
sob as árvores,
lembra-te
de que por vezes
as folhas falham
e os ventos
se precipitam em vão
entre a luz e o dia.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Para um Manual de Auto-Ajuda (13)

Aguarda.
Ou pelo menos
guarda
por agora
todo o tanto que sabes,
para não te
gozarem
o grotesco
e acusarem
de gorda ignorância.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Para um Manual de Auto-Ajuda (12)

Acautela
o afecto,
para se não
confundir
com o efeito.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Para um Manual de Auto-Ajuda (11)

Trata de saber
ao certo
se o teu
enlevado e
solícito desvelo,
ou mesmo
esse zangado
excesso
de zelo,
são afinal indício,
ou não,
de uma profunda
e fatal dor
de cotovelo.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Para um Manual de Auto-Ajuda (10)

Para os antigos
a tragédia
era da ordem
do irremediável.
Não deixes
a tua ser o medo
do remédio.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Para um Manual de Auto-Ajuda (9)

Do remorso
não queiras fazer a prova
de esforço,
mas não te canse
o arrependimento,
nem a contrição
te arrepanhe o intestino,
sobretudo
se o destino
não te corrompeu
o coração.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Para um Manual de Auto-Ajuda (8)

Quando tudo
que te escapa
se concentra
numa só ideia,
é já tarde
para tu próprio
escapares
dessa teia.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Para um Manual de Auto-Ajuda (7)

Afasta a ilusão:
os teus medos
mais secretos,
e a tua solidão,
são bem reais.
Inconcretos
são apenas 
os dedos
que te apertam
o estômago.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Para um Manual de Auto-Ajuda (6)

Não te
acocores
para não
acabares
a cacarejar.